CHARLES FREDERICK WORTH & GABRIELLE COCO CHANEL
Este texto trata sobre como o inglês Charles Frederick Worth e a francesa Gabrielle Coco Chanel (que será abordado em um segundo post) enxergaram o impossível e, com personalidades únicas, tornaram possíveis alguns momentos singulares da história da modaSimples adjetivo, único revela incrível riqueza de significados. Na vida ou pelo viés da moda, único não significa só diferente, individual, incomum ou raro, mas aponta para o que é excepcional, extraordinário, incomum, especial, sem igual.
Grandes solitários de origem humilde como o inglês Charles Frederick Worth e a francesa Gabrielle Chanel, de personalidades únicas, foram responsáveis por momentos chave, cruciais para a evolução do estilo na história da moda.
O pioneiro Charles Frederick Worth
Por ser Paris, há séculos, referência, lugar de cultura, da arte, do esplendor, onde as aparências e a indumentária são utilizadas como meio sociopolítico de afirmação, a verdadeira alta-costura é, para os puristas, essencialmente francesa.
É portanto, difícil de acreditar que quando partiu para Paris aos 20 anos, com 5 libras esterlinas no bolso, o rapaz do Lincolnshire, Grã-Bretanha, Charles Worth (1825-1895) estava prestes a mudar a face da moda, inventando a primeira “Maison” de alta-costura parisiense.
Parece sinopse de folhetim, mas foi o único da carreira de um homem que foi o primeiro estilista numa época em que dominavam costureiras/artesãs. Seu pendor pelo espetáculo, pelo teatral, determinou a tendência do gosto do Segundo Império, durante o qual, por estação, aconteciam 130 bailes, e gastava-se mais de um milhão de libras esterlinas em vestidos de gala!
Worth seduziu a carismática imperatriz Eugênia – de origem plebéia – que ditava a moda, com seus modelos extravagantes em tecidos suntuosos. Tornou-se tão bem-sucedido que em 1870 empregava 1200 costureiras, entregava centenas de vestidos por semana para as damas da corte, atrizes e emergentes da alta burguesia.
Lucrando 70 mil libras esterlinas por ano. Apesar de seus vestidos estarem próximos do figurino pela exuberância, Charles Worth será lembrado por ter sido o primeiro costureiro a apresentar coleções de verão e inverno, o primeiro a utilizar modelos vivas e também a vender os moldes de papel de suas roupas para exportação, principalmente Estados Unidos.
Nada mal para o ex-balconista que dormia à noite no chão de uma loja de tecidos, seu primeiro emprego.
Fonte:Revista Vogue Brasil, n° 299 - Uma experiência única, 2003. Página 34.
















